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Pessoas virtuosas, instituições virtuosas...


É quase unanimidade que esse negócio de Sarney já foi longe demais. Uns querem renúncia, outros, arquivamento de denúncia. Alguns dizem haver um terceiro grupo que quer mesmo é que esse negócio não acabe, até abalar o governo Lula e uma possível sucessão em 2010, pintando um quadro de "quanto pior, melhor". Até faz sentido, mas o fato é que já foi longe de mais. O Lula já devia ter se antecipado e tirado o cara do time, mas o problema é que pisou na bola logo na primeira oportunidade, digo, declaração pública de que Sarney não é "uma pessoa comum".

O fato é que isso tá rendendo e, durante a reunião do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar do dia 19, o senador João Pedro leu uma nota do presidente do PT orientando oscolegas do partido no colegiado a votarem pelo arquivamento das ações impetradas pelo PSOL e PSDB contra Sarney. O Berzoini, assim como toda a turma do Governo, acha que todo esse negócio é uma estratégia da oposição para antecipar o debate eleitoral, quando há coisas mais importantes para se discutir, como o Marco Regulatório do Pré-sal e a superação da crise internacional. Já para o Zé Dirceu a raiz da crise é, na verdade, a cobiça do PSDB pelo PMDB.

O visível descontentamento na ala do PT parecem vir dos senadores Aloizio Mercadante e Flávio Arns. As palavras do Arns, publicadas na Agência Senado, são duras em relação ao PT: o partido "rasgou a página fundamental de sua constituição, que é a ética"; "O PT tem de buscar outra bandeira, porque a ética deixou de existir, foi jogada no lixo"; "deu as costas para a sociedade, para o povo, para seus princípios"; "Eu me envergonho de estar no PT, com esse direcionamento que o partido está fazendo. Quero dizer isso de maneira muito clara para todos os meus eleitores. Houve um equívoco. Quando entrei no partido, achava que bandeiras eram pra valer, não eram de mentira".

Justamente no mesmo dia a Marina Silva anunciava seu desligamento do PT (confira a carta). E lá se vai mais uma fundadora assim como a Heloísa Helena, o Plíno de Arruda Sampaio, entre tantos outros que deixaram a agremiação. As palavras da Marina também expressam muito bem a falta de espaço que muitos dizem haver dentro do partido: "Agora eu me sinto livre para uma discussão em termos programáticos, de organização, tendo sempre a clareza que nenhum partido é perfeito, mas que as instituições precisam das pessoas, das virtudes, do seu empenho, para serem virtuosas". Aliás, a frase da Marina me faz refletir que o PT como partido virtuoso, já era. E está lá na página do senador do Paraná: "Flávio Arns admite se desfiliar do partido". Mais um? Eu conheço muita gente de boa índole que ainda está nesse partido. Será que permancem?

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