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Mostrando postagens de Maio, 2017

A ascensão de Jesus

O livro bíblico dos Atos dos Apóstolos relata que depois de ressuscitar, Jesus apareceu aos discípulos “por um período de quarenta dias falando-lhes acerca do Reino de Deus” (At 1.3). Ao final desse tempo, Jesus disse que o Espírito Santo desceria sobre eles. “Tendo dito isto, foi elevado às alturas enquanto eles olhavam, e uma nuvem o encobriu da vista deles. E eles ficaram com os olhos fixos no céu enquanto ele subia” (At 1.9-10). Hoje, passados 40 dias da Páscoa, a igreja cristã celebra a Ascensão de Jesus, lembrando o dia em que sua aparência visível ficou oculta da vista humana.

Diante de muitas circunstâncias dolorosas da vida, somos levados a pensar que se Cristo está lá no céu, ele está ausente de nossa realidade aqui embaixo. Tragédias como a da Inglaterra, nesta semana, trazem a sensação de que não estamos seguros aqui no mundo. Mas não precisamos ir muito longe, quando vivemos uma catástrofe social e política em nossa pátria e em nossas cidades convivemos com o medo e a inse…

Consolo sublime

Eis diante da cruz Maria, mãe de Jesus. Não está só, afinal. A irmã dela e duas amigas, também chamadas de Maria - a mulher de Cléopas e Madalena -, a amparam, enxugando lágrimas, segurando mãos, acolhendo em abraços o corpo cansado da mãe que vê partir o filho com o coração apertado.
Mas, da cruz, o menino de Maria, a mãe, as contempla. E vê também o amigo, o discípulo amado. Compadece-se do sofrimento materno e, antes do derradeiro suspiro, concede à mãe enlutada um filho para a amparar e ao amigo querido uma mãe para o amar. Consolo sublime na hora mais dura: receber um filho, ganhar uma mãe.

Baseado em João 19.25-27

Fonte: Mãe, Te Amo! São Leopoldo: Ed. Sinodal, 2007. pág. 5.

Raízes e asas: presentes de mãe

O apóstolo Paulo escreveu aos cristãos de Roma que estava certo de que nada pode separar o ser humano do amor de Deus, “nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as coisas do presente, nem do porvir, nem os poderes, nem a altura, nem a profundidade, nem alguma outra criatura” (Rm 8.38-39). Pois eu também estou certo de outra coisa. Nada pode nos separar do amor de mãe, nem a distância, nem a vida adulta, nem o casamento, nem alguma outra coisa. A ligação telefônica que recebi de minha mãe na semana passada confirmam isso. Ela se mostrava preocupada com minha saúde e com o tempo que já passou sem visita-la, o que ela também julga importante para uma boa saúde emocional. Comovido por esse amor de mão, fui às lágrimas. Acredito que toda mãe, mesmo após os filhos terem alçado voo na vida, esperam que eles voltem de vez em quando ao ninho.
Conta-se que ao indagarem a mãe do pastor Martin Luther King Jr., sobre como havia educado seu filho para uma vida dedicada a Deus e…

O Gavião-de-Penacho e o Vira-Bosta

Vários escritores contribuíram com sua arte literária para um livro surpreendente. Transcrevo abaixo o conto do Donaldo Schüler, professor que tanto admiro, do livro Paz: um vôo possível (Izabel Bellini Zielinsky (org.). Porto Alegre: AGE, 2004. p. 63-65):


O Gavião-de-Penacho e o Vira-Bosta Donaldo Schüler Um gavião-de-penacho persecutia um ratão-de-riacho.
O ratão pediu ajuda a um coelho. O coelho negou. Pediu ajuda a uma perereca. A perereca negou. Pediu ajuda a uma formiga. A formiga negou. Pediu ajuda a um vira-bosta. O vira-bosta disse:
- Venha, você é meu hóspede. Veio o gavião-de-penacho e ordenou:
- Me dá o ratão!
- O vira-bosta respondeu:
- Não se aproxime que pisa na bosta. O ratão é meu hóspede. O gavião-de-penacho sem paciência retrucou:
- Deixe de fricotes, vira-bosta. E levou o ratão.
O vira-bosta, de furioso, virou besta, atacou o ninho do gavião-de-penacho para acabar com a raça do infiel. Encostava o nariz nos ovos como se fossem bolinhas de bosta. Os ovos se espatifavam no …

Trabalho: castigo ou vocação?

O dia 1º de maio é um dia para exaltar o Trabalho e o Trabalhador. “Do trabalho de tuas mãos comerás, feliz serás, e tudo te irá bem”, diz o Salmo 128. No entanto, nem sempre as coisas foram vistas dessa maneira na história da humanidade. Na Grécia antiga o trabalho era coisa para os humildes e inferiores (humiliores) enquanto o ócio cabia ao os homens livres e honestos (honestiores), a ponto de Xenofonte escrever que “as pessoas que se dedicam aos trabalhos manuais nunca são elevadas” e que “a ciência do senhor reduz-se a saber utilizar o seu escravo”. A ideia era que os cidadãos deviam estar livres para cuidar da mente, da beleza e da “coisa pública” (República), cabendo todo o trabalho aos escravos.
Também entre cristãos já se viu o trabalho como um castigo e maldição de Deus, devido a suas palavras dirigidas a Adão: “No suor do rosto comerás o teu pão” (Gn 3.19). Na Idade Média, a sociedade era basicamente dividida entre os que governavam, os que oravam e os que trabalhavam. Ainda …