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Mostrando postagens de 2009

Amor

Amor. Como explicá-lo? Se é que tem explicação! "Quem inventou o amor? Me explica por favor". A primeira definição do Larousse é assim:

amor (ô) s.m. (lat. amor). 1. Sentimento que predispõe as pessoas a desejarem o bem de outrem, ou de alguma coisa.

Que lindo isso! Nada de interesse! Deu pra perceber? Não é coisa muito elaborada, baseia-se em sentimento. Os fragmentos abaixo são retirados do livro de Rubem Alves, intitulado Amor (4ª ed. Campinas: Papirus, 2005), um livretinho bacana que traz um universo de reflexões sobre o Amor.


Antes de ser
feito com o corpo, o
amor é feito com as
palavras.
(pág. 5)

O amor vive no
sutil fio da conversação,
balançando-se entre a
boca e o ouvido.
(pág. 6)

Nosso corpo
padece desta doença: o
amor. Seu limite não é a
pele. Ele contém o
universo inteiro.
(pág. 16)

O que as pessoas
mais desejam é alguém
que as escute de
maneira calma e
tranqüila. Em silêncio.
Sem dar conselhos. Sem
que digam: "Se eu fosse
você...".
(pág. 21)



Finkelstein em Porto Alegre

Israel Finkelstein, arqueólogo renomado e professor do Departamento Jacob M. Alkow de Arqueologia e Culturas do Antigo Oriente Próximo, do Instituto de Arqueologia Sonia e Marco Nadler da Universidade de Tel Aviv, estará em Porto Alegre na próxima quarta, dia 30/10, onde fará uma palestra no Auditório da Faculdade de Direito da UFRGS. Na ocasião também acontecerá uma mesa redonda abordando o tema "Religião e Racionalidade: A História Bíblica e a Investigação Arqueológica", com a participação do Prof. Nelson Kilpp, da Escola Superior de Teologia de São Leopoldo, do Doutorando Josué Berlesi, da Universidade de Buenos Aires e do Prof. Anderson Zalewski Vargas, da UFRGS. Mais detalhes sobre o evento no blogue Observatório Bíblico.

Entre outros trabalhos já realizados, Finkelstein dirige escações em Megiddo, juntamente com o Prof. David Ussishkin, e é autor, com seu colega americano, o historiador e arqueólogo Neil Asher Silberman, do livro “The Bible Unearthed: Archaeology’s New…

Kaiowá Guarani

Foto: Valter Campanato/ABr

Depois de passar o final de semana refletindo sobre os índios, me deparo com estas publicações muito oportunas no sítio do IHU:


I. O agronegócio incendiário e racista (20/09/2009)

"Sequer à beira das estradas os índios são tolerados. Querem vê-los distante ou embaixo da terra  para tranqüilizarem suas consciências, escreve Egon Heck, do Conselho Indigenista Missionário - Mato Grosso do Sul, denunciando nova chacina contra a comunidade Kaiowá Guarani, no Mato Grosso do Sul.

Eis o artigo.

“Você quer ver, vem olhar aqui, tem quatro bugres mortos, vem ver!”, o tom de deboche e ameaça era revelador de um quadro tétrico de racismo e ódio que se julgava restrito às páginas da história de extermínio das populações indígenas no continente e no mundo. Mas naquela hora  do meio dia de 18 de setembro, à beira da BR 486, a cena era muito real. Enquanto uma integrante do Cimi fotografava o que restou das casas queimadas, onde ainda a fumaça e pequenas chamas eram visíve…

Caim - O novo romance de José Saramago

"Caim". Este é o título do novo romance de José Saramago. Obviamente, com este título, já supomos que Caim seja um dos protagonistas. "Outro é Deus, outro ainda é a humanidade nas suas diferentes expressões", escreve Pilar del Río, esposa do escritor e presidente da Fundação José Saramago em artigo publicano no no blogue da instituição.

Leia na íntegra:
Saramago escreveu outro livro. O seu título é “Caim”, e Caim é um dos protagonistas principais. Outro é Deus, outro ainda é a humanidade nas suas diferentes expressões. Neste livro, tal como nos anteriores, “O Evangelho segundo Jesus Cristo”, por exemplo, o autor não recua diante de nada nem procura subterfúgios no momento de abordar o que, durante milénios, em todas as culturas e civilizações foi considerado intocável e não nomeável: a divindade e o conjunto de normas e preceitos que os homens estabelecem em torno a essa figura para exigir a si mesmos - ou talvez seria melhor dizer para exigir a outros- uma fé inqueb…

Estou triste

Já usei este espaço pra falar sobre a crise de identidade do PT e, mais recentemente, sobre as baixas no partido (Flávio Arns e Marina Silva), por isso, achei muito oportuno reproduzir aqui as palavras do Rubem Alves no artigo "Estou triste", publicado no Portal Aprendiz em 01/09/2009.
Eis o artigo:
Chegou-me, via internet, este artigo que publiquei faz muitos anos, a propósito do momento político que o país vivia. Eu havia me esquecido dele. Espantei-me. Eu poderia tê-lo escrito hoje. As máscaras, os nomes, os eventos são outros. Mas o "script" é o mesmo.
Será que o escrevi num momento de lucidez profética?
"Perdi as esperanças. Escrever, que sempre me foi um motivo de alegria, agora é coisa que faço me arrastando. Penso que o melhor seria parar de escrever. Vinicius se referia à sua "inútil poesia". Poesia é inútil.
Os poetas são fracos. As fórmulas dos demagogos são mais palatáveis. Escrevo inutilmente.
Minhas tristezas são duas. Hoje escreverei inutilm…

A Despedida de Saramago

No momento em que reativo meu blogue, José Saramago dá adeus ao seu. Em 31 de agosto se despede de seu "O Caderno de Saramago". Amparando sua decisão no provérbio popular que diz que "não há bem que sempre dure nem mal que ature" (dure, perdure, persista, não acabe, seja lá como você o conhece), o escritor de além-mar reconhece que mesmo algo de mal que tenha escrito, não poderiam ser diferentes, senão melhores. Saramago diz que vai dedicar-se a outro livro que está escrevendo e nos deixa na companhia de "Caim", que vai dar muito o que falar, talvez eu até escreva alguma coisa aqui. E acho que são exatamente as repercussões desse esperado lançamento que o trará a público novamente. Na verdade, a despedida de Saramago parece mais propriamente um até breve. Ele prório reconhece que não quer ser tão radical, tomando uma decisão irrevogável. À maneira de Saramago, pensando melhor, não há que ser tão radical...

Uma Silva sucessora de um Silva?

Compartilho o artigo de Leonardo Boff publicado em seu sítio no dia 22/08/2009, mas que já tinha saído antes no Jornal do Brasil e O Globo.

Segue:

Não estou ligado a nenhum partido, pois para mim partido é parte. Eu como intelectual me interesso pelo todo embora, concretamente, saiba que o todo passa pela parte. Tal posição me confere a iberdade de emitir opiniões pessoais e descompromissadas com os partidos.
De forma antecipada se lançou a disputa: Quem será o sucessor do carismático presidente Luiz Inácio Lula da Silva?
De antemão afirmo que a eleição de Lula é uma conquista do povo brasileiro, principalmente daqueles que foram sempre colocados à margem do poder. Ele introduziu uma ruptura histórica como novo sujeito político e isso parece ser sem retorno. Não conseguiu escapar da lógica macro-econômica que privilegia o capital e mantém as bases que permitem a acumulação das classes opulentas. Mas introduziu uma transição  de um estado privatista e neoliberal para um governo republic…

Versões diferentes para um conflito

A morte de um trabalhador rural sem terra, ocorrida dia 21 em São Gabriel/RS confirma uma constatação que fiz aqui no Rio Grande do Sul: a violência e truculência da Polícia Militar, aqui chamada de Brigada Militar, na repressão de manifestações, ocupações e reintegrações de posse, seguida de uma manobra contra os movimentos sociais. Lembro que algo semelhante acontecia no Paraná há 10 anos atrás, quando a Polícia Militar do governo Lerner seguia a mesma cartilha. Nessa época, incentivados pela oficialidade do governo, pistoleiros eram contratados para proteger latifúndios, muitos improdutivos, se tornaram uma ameaça à paz e criaram um clima de instabilidade e medo no campo.


Quando o Requião assumiu o governo do Estado as coisas mudaram um pouco. Obviamente, o conflito agrário ainda continuou no Paraná, com a diferença que Requião parece estar do outro lado da cerca. Já os ruralista, órfãos da oficialidade do governo, parecem radicalizar suas "medidas de proteção". O fato é q…

Pessoas virtuosas, instituições virtuosas...

É quase unanimidade que esse negócio de Sarney já foi longe demais. Uns querem renúncia, outros, arquivamento de denúncia. Alguns dizem haver um terceiro grupo que quer mesmo é que esse negócio não acabe, até abalar o governo Lula e uma possível sucessão em 2010, pintando um quadro de "quanto pior, melhor". Até faz sentido, mas o fato é que já foi longe de mais. O Lula já devia ter se antecipado e tirado o cara do time, mas o problema é que pisou na bola logo na primeira oportunidade, digo, declaração pública de que Sarney não é "uma pessoa comum".
O fato é que isso tá rendendo e, durante a reunião do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar do dia 19, o senador João Pedro leu uma nota do presidente do PT orientando oscolegas do partido no colegiado a votarem pelo arquivamento das ações impetradas pelo PSOL e PSDB contra Sarney. O Berzoini, assim como toda a turma do Governo, acha que todo esse negócio é uma estratégia da oposição para antecipar o debate eleitoral, qu…

Vamos promover a língua!

Em resposta a alguns questionamentos de seu texto anterior, o Professor Carlos Alberto Faraco escreveu o artigo abaixo, publicado na Rede CBN, em 03/08/2009.
Eis o artigo:
Meu texto anterior (Deixemos a língua em paz!), publicado na Gazeta do Povo de 17/07/2009 e, depois, transcrito aqui, provocou alguns questionamentos de leitores. Um deles me pergunta se não é dever de todos promover a língua portuguesa; outro, se não acho abusivo o uso atual de estrangeirismos; e, por fim, um terceiro me pergunta como devemos proceder com os estrangeirismos se uma lei estapafúrdia não é a solução.
Vou comentar o primeiro ponto neste texto. Voltarei aos outros oportunamente.
Vamos começar nos colocando de acordo quanto à primeira questão. É óbvio que, como sociedade, devemos promover a língua portuguesa, que é a língua da maioria da população brasileira. E aqui não há segredo: a promoção da língua depende basicamente de uma boa educação linguística no nível fundamental e médio.
Uma boa educação deve gara…

Carta a um sonhador

Neste artigo, publicado na Gazeta do Povo, de 27/07/2009, o Professor Adilson Alves se dirige ao Professor Faraco, em virtude de seu artigo publicado no mesmo jornal e postado neste blogue.
Eis o artigo:
Prezado Professor Carlos Alberto Faraco,
Li e reli seu artigo “Dei xemos a língua em paz”, publicado neste jornal no dia 17 de julho deste ano. Confesso, aliás, minha mania de ler suas publicações, que sempre apresentam com precisão seus quarenta anos de pesquisas ininterruptas sobre questões de linguagem. Aliás, no meu mestrado usei algumas de suas intuições sobre Bakhtin. Perdoe-me os equívocos e as lambanças.
Pois é, Professor. Quem está escrevendo é alguém que o ad mira muito. E justamente por admirá-lo é que sugiro que abandone definitivamente essa sua militância em favor de um debate qualificado sobre questões referentes à nossa língua. Por que insistir nessa guerra perdida? Não seria melhor cuidar dos seus netos? Do seu jardim? Sugiro que releia São Bernardo (meu livro predileto!).…

Deixemos a língua em paz!

"Governantes que quiseram controlar o uso da língua constituem um time de credenciais nada recomendáveis", escreve o Professor Carlos Alberto Faraco, em artigo publicado no Jornal Gazeta do Povo, de 17/07/2009.
Eis o artigo:
Quando uma autoridade apresenta projetos de regulação do uso social da língua, eu logo me assusto. E me assusto, em primeiro lugar, como cidadão. Hoje, a autoridade quer determinar como devo usar as palavras. Amanhã vai querer dizer que livros poderei ler. Depois, que músicas poderei ouvir. E, por fim, que ideias e crenças estarei autorizado a ter.
Não há como deixar de sentir nestes projetos um forte cheiro de autoritarismo. E essa sensação se agrava – e muito – quando observamos a história do século 20: os governantes que quiseram controlar o uso da língua constituem um time de credenciais nada recomendáveis (Hitler, por exemplo, queria, em nome da defesa da língua pátria, “purificar” o alemão de palavras do iídiche). Sempre me pergunto se este padrão his…