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A ascensão de Jesus

O livro bíblico dos Atos dos Apóstolos relata que depois de ressuscitar, Jesus apareceu aos discípulos “por um período de quarenta dias falando-lhes acerca do Reino de Deus” (At 1.3). Ao final desse tempo, Jesus disse que o Espírito Santo desceria sobre eles. “Tendo dito isto, foi elevado às alturas enquanto eles olhavam, e uma nuvem o encobriu da vista deles. E eles ficaram com os olhos fixos no céu enquanto ele subia” (At 1.9-10). Hoje, passados 40 dias da Páscoa, a igreja cristã celebra a Ascensão de Jesus, lembrando o dia em que sua aparência visível ficou oculta da vista humana. Diante de muitas circunstâncias dolorosas da vida, somos levados a pensar que se Cristo está lá no céu, ele está ausente de nossa realidade aqui embaixo. Tragédias como a da Inglaterra, nesta semana, trazem a sensação de que não estamos seguros aqui no mundo. Mas não precisamos ir muito longe, quando vivemos uma catástrofe social e política em nossa pátria e em nossas cidades convivemos com o medo e a i...

Consolo sublime

Cristo na Cruz com a Virgem e São João (1510) - Albrecht Dürer Eis diante da cruz Maria, mãe de Jesus. Não está só, afinal. A irmã dela e duas amigas, também chamadas de Maria - a mulher de Cléopas e Madalena -, a amparam, enxugando lágrimas, segurando mãos, acolhendo em abraços o corpo cansado da mãe que vê partir o filho com o coração apertado. Mas, da cruz, o menino de Maria, a mãe, as contempla. E vê também o amigo, o discípulo amado. Compadece-se do sofrimento materno e, antes do derradeiro suspiro, concede à mãe enlutada um filho para a amparar e ao amigo querido uma mãe para o amar. Consolo sublime na hora mais dura: receber um filho, ganhar uma mãe. Baseado em João 19.25-27 Fonte : Mãe, Te Amo! São Leopoldo: Ed. Sinodal, 2007. pág. 5.

Raízes e asas: presentes de mãe

  O apóstolo Paulo escreveu aos cristãos de Roma que estava certo de que nada pode separar o ser humano do amor de Deus, “ nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as coisas do presente, nem do porvir, nem os poderes, nem a altura, nem a profundidade, nem alguma outra criatura ” (Rm 8.38-39). Pois eu também estou certo de outra coisa. Nada pode nos separar do amor de mãe, nem a distância, nem a vida adulta, nem o casamento, nem alguma outra coisa. A ligação telefônica que recebi de minha mãe na semana passada confirmam isso. Ela se mostrava preocupada com minha saúde e com o tempo que já passou sem visita-la, o que ela também julga importante para uma boa saúde emocional. Comovido por esse amor de mão, fui às lágrimas. Acredito que toda mãe, mesmo após os filhos terem alçado voo na vida, esperam que eles voltem de vez em quando ao ninho. Conta-se que ao indagarem a mãe do pastor Martin Luther King Jr., sobre como havia educado seu filho para um...

O Gavião-de-Penacho e o Vira-Bosta

Vários escritores contribuíram com sua arte literária para um livro surpreendente. Transcrevo abaixo o conto do Donaldo Schüler, professor que tanto admiro, do livro Paz: um vôo possível (Izabel Bellini Zielinsky (org.). Porto Alegre: AGE, 2004. p. 63-65): O Gavião-de-Penacho e o Vira-Bosta Donaldo Schüler Um gavião-de-penacho persecutia um ratão-de-riacho. O ratão pediu ajuda a um coelho. O coelho negou. Pediu ajuda a uma perereca. A perereca negou. Pediu ajuda a uma formiga. A formiga negou. Pediu ajuda a um vira-bosta. O vira-bosta disse: - Venha, você é meu hóspede. Veio o gavião-de-penacho e ordenou: - Me dá o ratão! - O vira-bosta respondeu: - Não se aproxime que pisa na bosta. O ratão é meu hóspede. O gavião-de-penacho sem paciência retrucou: - Deixe de fricotes, vira-bosta. E levou o ratão. O vira-bosta, de furioso, virou besta, atacou o ninho do gavião-de-penacho para acabar com a raça do infiel. Encostava o nariz nos ovos como se fossem bolinhas de bosta. Os ovos s...

Trabalho: castigo ou vocação?

O dia 1º de maio é um dia para exaltar o Trabalho e o Trabalhador. “Do trabalho de tuas mãos comerás, feliz serás, e tudo te irá bem”, diz o Salmo 128. No entanto, nem sempre as coisas foram vistas dessa maneira na história da humanidade. Na Grécia antiga o trabalho era coisa para os humildes e inferiores ( humiliores ) enquanto o ócio cabia ao os homens livres e honestos ( honestiores ), a ponto de Xenofonte escrever que “as pessoas que se dedicam aos trabalhos manuais nunca são elevadas” e que “a ciência do senhor reduz-se a saber utilizar o seu escravo”. A ideia era que os cidadãos deviam estar livres para cuidar da mente, da beleza e da “coisa pública” (República), cabendo todo o trabalho aos escravos. Também entre cristãos já se viu o trabalho como um castigo e maldição de Deus, devido a suas palavras dirigidas a Adão: “No suor do rosto comerás o teu pão” (Gn 3.19). Na Idade Média, a sociedade era basicamente dividida entre os que governavam, os que oravam e ...

Liturgia do Silêncio

Li no Hypeness que os "estudos sugerem que a exposição ao silêncio poderia trazer benefícios à saúde, diminuindo os níveis de estresse e aumentando a sensação de relaxamento. Uma pesquisa de 2006 concluiu inclusive que o silêncio seria mais relaxante do que uma “música relaxante”. Mesmo assim, os estudos sobre o assunto são preliminares e, embora ainda não seja definitivo afirmar que o silêncio faça “bem”, já se sabe que ele ao menos é mais vantajoso em termos de saúde do que a exposição prolongada ao barulho." Imediatamente me lembrei do saudoso Rubem Alves, que fazia belas reflexões sobre a dádiva do silêncio. Uma vez, transcrevi aqui um texto dele publicado no jornal . Agora recorro a este singelo texto de seu livro Pensamentos que penso quando não estou pensando (Campinas: Papirus, 2007. p. 13-16):   Liturgia do Silêncio Rubem Alves Muitos anos atrás, passei uma semana num mosteiro na Suíça, Grands Champs. Eu e algumas ...

Corra ao sepulcro!

  É assim que o evangelista S. Lucas narra o acontecimento fundamental da fé cristã: “No primeiro dia da semana, de manhã bem cedo, as mulheres tomaram as especiarias aromáticas que haviam preparado e foram ao sepulcro. Encontraram removida a pedra do sepulcro, mas, quando entraram, não encontraram o corpo do Senhor Jesus. Ficaram perplexas, sem saber o que fazer. De repente dois homens com roupas que brilhavam como a luz do sol colocaram-se ao lado delas. Amedrontadas, as mulheres baixaram o rosto para o chão, e os homens lhes disseram: “Por que vocês estão procurando entre os mortos aquele que vive? Ele não está aqui! Ressuscitou! Lembrem-se do que ele lhes disse, quando ainda estava com vocês na Galileia: ‘É necessário que o Filho do homem seja entregue nas mãos de homens pecadores, seja crucificado e ressuscite no terceiro dia’ “. Então se lembraram das suas palavras. Quando voltaram do sepulcro, elas contaram todas estas coisas aos Onze e a todos os outr...