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Feliz Ano Novo! Adeus Ano Velho?

O Ano Novo se tornou um momento mágico e especial, diferente de outros momentos de passagem na vida individual e familiar, como aniversário, batismo, casamento, etc., pois é coletivo, globalizado e conduzido pelos meios de comunicação. Não tem como ficar de fora. O Réveillon é ocasião para as resoluções de Ano Novo, quando muitas pessoas já antecipam também os resultados. Junto com a promessa de entrar na academia, muitos já se veem entrando naquele número que não vestia mais, junto com a decisão de batalhar por uma promoção, outros já pressentem a espuma macia da cadeira de chefe no trabalho, e por aí vai. O filósofo polonês Zygmunt Bauman (que morreu esta semana aos 91 anos) escreveu que “Ano-Novo é a festa anual da ressurreição das esperanças. Dançamos, cantamos e bebemos para saudar a chegada da esperança renascida, ainda firme e intransigente; um novo tipo de esperança – é o que esperamos – imune ao descrédito e ao menosprezo”. Somos tomados pela esperança num mundo melhor ...

O amor de Deus nas contradições do Natal

Estamos vivendo o clima festivo do Natal. Os lares, igrejas, ruas e praças estão embelezados e iluminados. Assim também está a nossa alma com a maior dádiva que o Natal oferece: o amor de Deus que se tornou carne e tocou a nossa existência humana   Esse amor veio habitar o mundo na pessoa de Jesus Cristo, tornando-se pessoa igual a nós, experimentando os mesmos sofrimentos, choros e alegrias. Mas o dom do Natal é que Jesus nos faz experimentar o amor divinal que torna o nosso coração mais aconchegante e acolhedor que a humilde manjedoura que recebeu Jesus na sua primeira vinda ao mundo. E isto é assunto primordial nesta época do ano. Enquanto muitas pessoas se alegram, muitas outras são tocadas pelo sofrimento e a tristeza de trágicos acontecimentos e lembranças. Natal traz esse paradoxo. A própria mãe do Senhor o experimentou. Quando o velho sacerdote Simeão segurou o Menino Deus nos seus braços e abençoou a sagrada família, também disse à bem-aventurada Mar...

O testamento do Cachorro

Hoje, Quarta-feira de Cinzas, procurando alguma coisa interessante pra relaxar e assistir, me deparei com o Ariano Suassuna na TV Senado. Era umas 22 horas, o programa já havia começado a algum tempo, mas peguei muita coisa boa e pérolas valiosas do escritor. Trata-se de uma aula-espetáculo que fora realizada em Junho de 2013, na sala Villa-Lobos do Teatro Nacional de Brasília (DF). Depois do programa, acabei explorando na rede muita coisa que o Suassuna falou, partindo de sua fala de que não cria mas copia. Copia o que o provo brasileiro traz. Aí vem as histórias contadas, os muitos cordéis que se perdem no tempo. Procurando a história do enterro do cachorro de um antigo folheto de literatura de cordel - que o próprio Suassuna atribui a fundamentação de “O Auto da Compadecida” -, me deparei com Leandro Gomes de Barros, um grande poeta da literatura de cordel, nascido no sertão da Paraíba, e que viveu de 1865 a 1918. A história do testamento do cachorro é parte do folheto "O d...

Martin Luther King, Jr: Carta de uma prisão em Birmingham

Meus caros amigos clérigos, Durante meu confinamento aqui na prisão municipal de Birmingham, deparei-me com sua declaração recente chamando minhas atividades atuais de “insensatas e inoportunas”. Raramente paro para responder a críticas do meu trabalho e ideias. Se tentasse responder a todas as críticas que passam pela minha mesa, minhas secretárias mal teriam tempo para outra coisa que não para essas correspondências no decorrer do dia, e eu não teria tempo algum para o trabalho construtivo. Mas, como sinto que vocês são homens de genuína boa vontade e que suas críticas são expostas com sinceridade, quero tentar responder a sua declaração em termos que espero que sejam pacientes e razoáveis. Acho que devo mencionar por que estou aqui em Birmingham, já que vocês foram influenciados pela visão que se opõe aos “forasteiros invasores”. Tenho a honra de servir como presidente da Conferência Sulista de Liderança Cristã (Southern Christian Leadership Conference), uma organização que opera...

Santa Calvície!

Estava pesquisando na internet o texto original de um hino de Sinésio de Cirene (c. 365- c. 414) que está no hinário da Igreja Luterana do Sínodo Missouri ( Lord Jesus, Think on Me , traduzido por Allen William Chatfield, sob o n.º 610 no Lutheran Service Book ). A prova de que os fatos curiosos nos chamam a atenção, é que minha pesquisa tomou outro rumo ao verificar que este filósofo neoplatônico e bispo de Ptolemais, antiga cidade da província romana de Cirenaica, escreveu um Elogio da Calvície . Sinésio de Cirene (370-413) escreveu o Elogio da Calvície  como resposta ao Elogio da Cabeleira de Dion de Prúsia ou Dion Crisóstomo .  O Elogio era um gênero literário de estilo pomposo para celebrar alguma divindade, personagem, cidade, etc. Posteriormente começou a aparecer os elogios do papagaio, do mosquito, da cabeleira, da mosca, da calvície, etc. O gênero chega ao renascimento com o Elogio da Loucura de Erasmo de Roterdam. Há muitas traduções das obras de Sinésio n...

O Imponderável - Fabrício Carpinejar

Fabrício Carpinejar Nunca sei o que pode ocorrer por mais que tenha antecipado situações. Já me acostumei com a visita do Imponderável em minha vida. Ele entra sem permissão, sem licença e muda a ordem dos acontecimentos. Tenho certeza que você também conhece. Ele não deixa nenhum lar desassistido. Não compra ingressos, não paga estacionamento. Para qualquer evento, usa carteiraço. Entra em casamento, em velório, em aniversário com a maior cara-de-pau. Quando treinamos a realidade, não programamos a sua presença indiscutível. É ele que manda e decide. Somos coadjuvantes de seus repentes. Você teve que lidar com sua invasão fantasmagórica no vestibular quando se via afiado e surgia o branco, no momento de atravessar uma festa para chamar uma colega para dançar e alguém se antecipava. O Imponderável tem preferência por quem se prepara antes para um teste emocional. Sua diversão é destruir nossos roteiros e planejamentos, mostrar que não somos onipotentes, que não há co...

Eu tenho um Sonho

EU TENHO UM SONHO Martin Luther King (1929-1968) Discurso de Martin Luther King, "Eu tenho um sonho", em 28 de agosto de 1963, na enorme concentração pelos direitos civis de afro-americanos, em Washington, DC. "Eu estou contente em unir-me com vocês no dia que entrará para a história como a maior demonstração pela liberdade na história de nossa nação. Cem anos atrás, um grande americano, na qual estamos sob sua simbólica sombra, assinou a Proclamação de Emancipação. Esse importante decreto veio como um grande farol de esperança para milhões de escravos negros que tinham murchados nas chamas da injustiça. Ele veio como uma alvorada para terminar a longa noite de seus cativeiros. Mas cem anos depois, o Negro ainda não é livre. Cem anos depois, a vida do Negro ainda é tristemente inválida pelas algemas da segregação e as cadeias de discriminação. Cem anos depois, o Negro vive em uma ilha só de pobreza no meio de um vasto oceano de prosperidade material. ...