Pular para o conteúdo principal

Versões diferentes para um conflito

A morte de um trabalhador rural sem terra, ocorrida dia 21 em São Gabriel/RS confirma uma constatação que fiz aqui no Rio Grande do Sul: a violência e truculência da Polícia Militar, aqui chamada de Brigada Militar, na repressão de manifestações, ocupações e reintegrações de posse, seguida de uma manobra contra os movimentos sociais. Lembro que algo semelhante acontecia no Paraná há 10 anos atrás, quando a Polícia Militar do governo Lerner seguia a mesma cartilha. Nessa época, incentivados pela oficialidade do governo, pistoleiros eram contratados para proteger latifúndios, muitos improdutivos, se tornaram uma ameaça à paz e criaram um clima de instabilidade e medo no campo.


Quando o Requião assumiu o governo do Estado as coisas mudaram um pouco. Obviamente, o conflito agrário ainda continuou no Paraná, com a diferença que Requião parece estar do outro lado da cerca. Já os ruralista, órfãos da oficialidade do governo, parecem radicalizar suas "medidas de proteção". O fato é que o governador Requião protela ao máximo o envio da polícia para cumprimento de ordens de reintegração de posse, e quando a desocupação acontece, ao menos parece ocorrer de forma pacífica. Segundo Requião, a intenção é negociar até o limite. A postura oficial da Secretaria da Segurança é de evitar o conflito agrário, procurando dialogar com representantes do MST e ruralistas. Evidentemente, os ruralistas e suas associações de classes acham que Requião está do lado do MST e Via Campesina.


relatório da Anistia Internacional confirma a constatação da violência da Polícia no RS e das milícias no PR, apontando ainda o conflito no Pará: 


En el estado de Rio Grande do Sul, algunos fiscales y la policía militar elaboraron un expediente que incluía numerosas denuncias contra miembros del Movimiento de los Trabajadores Rurales sin Tierra (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, MST), y que esta organización describió como un intento de restringir sus actividades y criminalizar a sus miembros. El expediente, que contenía denuncias de vínculos del MST con grupos terroristas internacionales, se utilizó para respaldar en los tribunales peticiones de órdenes de desalojo, ejecutadas en algunos casos por la policía haciendo uso excesivo de la fuerza.
En el estado de Paraná, milicias ilegales armadas vinculadas con terratenientes siguieron atacando a campesinos sin tierra.
El 8 de marzo, 15 hombres armados irrumpieron en un asentamiento de 35 familias en Terra Livre, Ortigueira, y amenazaron a niños, golpearon a hombres y mujeres y quemaron sus pertenencias.
Posteriormente se detuvo a siete de los atacantes. Tres semanas después, dos hombres encapuchados mataron a tiros a Eli Dallemore, máximo representante del MST en Terra Livre, en presencia de su esposa y sus hijos.
El 8 de mayo, cerca de Cascavel, unos hombres armados, tras irrumpir en un asentamiento de 150 familias con tractores, excavadoras y un camión blindado, efectuaron disparos y destruyeron las cosechas, una escuela y una iglesia. Antes de ser reducidos, intercambiaron disparos con la policía. Se detuvo a 10 personas en relación con el ataque.
El estado de Pará siguió registrando el mayor número de amenazas y homicidios contra activistas que defendían el derecho a la tierra. Apenas ningún responsable compareció ante la justicia.
En mayo, el nuevo juicio contra Vitalmiro Bastos de Moura por el homicidio de la hermana Dorothy Stang, activista medioambiental y defensora del derecho a la tierra, ocurrido en febrero de 2005, concluyó con la absolución y la puesta en libertad del acusado. En un juicio anterior, tras ser declarado culpable, Vitalmiro Bastos de Moura había sido condenado a 30 años de cárcel. La absolución fue muy criticada, por ejemplo, por el presidente Lula y otras autoridades gubernamentales. Al finalizar el año seguía pendiente de resolución un recurso de apelación presentado por el Ministerio Público.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

O testamento do Cachorro

Hoje, Quarta-feira de Cinzas, procurando alguma coisa interessante pra relaxar e assistir, me deparei com o Ariano Suassuna na TV Senado. Era umas 22 horas, o programa já havia começado a algum tempo, mas peguei muita coisa boa e pérolas valiosas do escritor. Trata-se de uma aula-espetáculo que fora realizada em Junho de 2013, na sala Villa-Lobos do Teatro Nacional de Brasília (DF). Depois do programa, acabei explorando na rede muita coisa que o Suassuna falou, partindo de sua fala de que não cria mas copia. Copia o que o provo brasileiro traz. Aí vem as histórias contadas, os muitos cordéis que se perdem no tempo. Procurando a história do enterro do cachorro de um antigo folheto de literatura de cordel - que o próprio Suassuna atribui a fundamentação de “O Auto da Compadecida” -, me deparei com Leandro Gomes de Barros, um grande poeta da literatura de cordel, nascido no sertão da Paraíba, e que viveu de 1865 a 1918. A história do testamento do cachorro é parte do folheto "O d...

Quem anda pela cabeça dos outros é piolho

Final de janeiro e início de fevereiro, não somente os filhos, mas também os pais começam a se preparar para mais um ano letivo. Hoje, uma das preocupações dos pais é o material escolar, que todo ano fica mais caro. Mas houve um tempo em que o que deixava os pais de cabelo em pé de verdade era o fato de que ao voltarem às aulas, voltariam também os piolhos na cabeça dos filhos. Para acabar com o coça-coça, as mães passavam de tudo no cabelo, mas o método mais eficaz, e também mais dolorido e chato, ainda era passar aquele pente fino nos cabelos. Igualmente terrível para uma criança era a “catação” de lêndeas e piolhos por horas intermináveis, quando poderia estar brincando. Tem um ditado popular que diz: “Quem anda pela cabeça dos outros é piolho”. Visto que a família exerce um papel primordial na educação, que abrange princípios de vida e de ética, disciplina e orientação espiritual, quando os filhos passam a exibir valores diferentes daqueles que aprendeu em casa, cert...

Pentecostes: a festa do Espírito Santo

"Pentecostes" (1620-1625), Juan Bautista Maíno Neste domingo próximo celebraremos o Pentecostes, uma das festas mais importantes do calendário cristão, que lembra a descida do Espírito Santo sobre os seguidores de Cristo, exatamente 50 dias após a sua ressurreição e 10 dias após a sua ascensão. O texto bíblico conta que naquele dia “havia em Jerusalém judeus, devotos a Deus, vindos de todas as nações do mundo” (At 2.5). Estavam ali por causa da Festa das Semanas, que já antes do tempo de Jesus, em virtude da influência grega, era chamada de Pentecostes, uma palavra que significa “quinquagésimo”, pois era celebrada 50 dias (sete semanas) após a Festa da Páscoa (Lv 23.15,16; Dt 16.9,10). No antigo calendário bíblico esta festa acontecia na colheita dos primeiros frutos (primícias) do trigo (Ex 23.16; 34.22). Também passou-se a recordar a renovação da aliança feita com Noé e mais tarde com Moisés e a entrega da Lei no Monte Sinai. Mas era observada mais como uma festa de a...